Adolescentes aderem à onda do bisturi

Por: Patrícia Azevedo

cirurgia-em-adolescentesFoi-se o tempo em que a cirurgia plástica era procurada apenas pelos adultos. Hoje em dia, os adolescentes estão se submetendo cada vez mais cedo a estes procedimentos estéticos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, 15% das 700 mil cirurgias plásticas realizadas anualmente no Brasil são feitas em adolescentes.

Apesar de não haver dados regionalizados sobre o assunto, cirurgiões plásticos afirmam que Campinas segue a tendência nacional. E um dos grandes propulsores para a moda do bisturi é, segundo especialistas de saúde, a mídia.

“Tratei adolescentes aqui que me diziam que tinham medo de que os meninos não gostem delas porque elas se acham gordas. E essas meninas se sentem infelizes porque não têm o padrão que aparece na mídia”, diz a médica Albertina Duarte Takiuti, coordenadora do programa de Saúde do Adolescente da Secretaria Estadual de Saúde.

Essa pressão que muitas adolescentes sentem para alcançar o padrão de beleza imposto se reflete em uma pesquisa realizada pelo Hospital das Clínicas de São Paulo. O levantamento revelou que 67% das adolescentes entre 10 e 20 anos estão insatisfeitas com o corpo. Outras 37% disseram sentir vergonha em relação ao físico.

Com a insatisfação com o corpo, uma das saídas tem sido a cirurgia plástica. A adolescente Isabella Cordeiro, de 17 anos, já passou por duas cirurgias reparadoras no nariz.

“Fiz a primeira cirurgia quando tinha 15 anos e depois retoquei. Eu odiava meu nariz, me incomodava muito”, justificou. Os resultados foram considerados muito bons por Isabella. “Depois da cirurgia, minha auto-estima melhorou. Antes, eu ficava sempre encanada, agora estou mais confiante”, conta.

O cirurgião plástico Edouard Tannous é especializado em atendimento a adolescentes e conta que a procura por esses procedimentos na faixa etária tem aumentado muito. “Entre as meninas, as cirurgias mais realizadas são as de mama, de nariz e a lipoaspiração. E, entre os meninos, as mais comuns são a ginecoplastia (mama) e nariz”, diz.

Tannous completa que não há uma idade mínima para que a adolescente se submeta a uma cirurgia, mas alguns procedimentos têm que ser feitos quando o desenvolvimento da criança está completo. “A conhecida orelha de abano pode ser operada a partir dos 8 anos e as cirurgias de nariz podem ser feitas depois dos 14 anos. Outros procedimentos devem ser analisados para cada paciente”, ressalta.

O cirurgião destaca, no entanto, que os pais desses adolescentes devem consultar profissionais da Saúde para avaliar se a cirurgia é realmente o melhor caminho. “No caso da lipoaspiração, por exemplo, a adolescente deve ser primeiro encaminhada a um endocrinologista para saber se há alguma alteração ou se o procedimento alimentar está correto”, pondera.

Já o diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Douglas Jorge, salienta que cada cirurgião deve avaliar o paciente para oferecer a melhor solução de tratamento.

“Não há uma idade mínima, mas é preciso ter mais cuidado numa etapa precoce”, diz. Ele salienta que a procura por cirurgia entre adolescentes está aumentando, mas diz que não há números sobre esse aumento. “É importante que a iniciativa para a cirurgia parta do próprio adolescente”, reforça.

Ditadura da magreza leva jovens a ‘pularem’ refeições

Estudo desenvolvido pela Secretaria Estadual de Saúde no Hospital das Clínicas de São Paulo apontou que 60% das adolescentes entrevistadas têm como padrão de beleza as mulheres magras e altas que aparecem na mídia. Como conseqüência disso, alerta a médica Albertina Duarte Takiuti, as adolescentes estão adotando práticas perigosas para a saúde, como “pular” refeições para emagrecer.

A pesquisa revelou que, na tentativa de conquistar uma silhueta fina, 75% das adolescentes fazem uma ou, no máximo, duas refeições por dia. Em contrapartida, 18% das entrevistadas praticam atividade física. Outras 4,5% utilizam medicamentos para emagrecer.

“Esse estudo mostra a dificuldade de aceitação das mudanças que ocorrem no corpo das jovens adolescentes, que querem se ajustar aos padrões de beleza vigentes, mas não se preocupam com uma alimentação saudável e dieta balanceada”, afirma Albertina.

O estudo foi feito pela Secretaria de Estado da Saúde no ambulatório de Ginecologia da Adolescente do HC, o maior da América Latina. Foram entrevistadas 45 adolescentes entre 10 e 20 anos de idade atendidas na unidade mensalmente.

Uma das meninas que foi entrevistada para o estudo é A., de 21 anos. Ele faz tratamento há seis anos para regularizar o funcionamento do seu intestino. Quando tinha 15 anos, ela decidiu que estava gorda e que precisava emagrecer. “Eu tomava laxantes três vezes ao dia e cheguei a pesar 35 quilos”, lembra.

Hoje recuperada do problema, ela conta que tem problema intestinal e
faz tratamento. “Não conseguia sair de casa, mas achava que era feliz; hoje eu vejo que não era”, lembra. Para as meninas que estão cada vez mais adeptas a medidas radicais para perder peso, A. tem um conselho: “Procure orientação médica”.

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